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FERRAGENS PARA MARCENEIROS E MARCENARIAS - VARIABILIDADE DOS ELEMENTOS XILEMÁTICOS
 
VARIABILIDADE DOS ELEMENTOS XILEMÁTICOS
O interesse pela variação dos elementos fibrosos dentro de uma árvore surgiu a centenas de anos com o trabalho de Sânio (1792) com Pinus Sylvestres.
O resultado deste estudo mostrou que:
  • Os traqueídeos, tanto no tronco como nos galhos, aumentam em comprimento do centro para a extremidade, até que um comprimento definido é conseguido, o qual então permanece constante para o anel de crescimento seguinte.
  • O tamanho final muda no tronco de tal maneira que constantemente aumenta da base para o topo, alcançando um valor máximo a uma certa altura, e diminui até o topo.
  • Os traqueídeos são menores nos galhos do que no tronco.
VARIAÇÃO RADIAL:

COMPRIMENTO DE FIBRA E ELEMENTOS DE VASO

A expansão radial dos traqueídeos e fibras libriformes e a deposição da parede secundária ocorre durante o estágio de diferenciação e maturação (Whitmore e Zahner, 1966 ; Brown, 1970).
Entretanto, neste período ocorre somente uma pequena parte do aumento em circunferência (Philipson et al. , 1971).

Muitos investigadores trabalhando neste aspecto da variação em comprimento tem mostrado que o comprimento da célula perto da medula é muito pequeno tanto para folhosas e coníferas da zona temperada, mas aumenta rapidamente depois dos primeiros anéis de crescimento.
Depois disto, a proporção de aumento nos valores diminui até que um máximo comprimento é obtido.
Entretanto, vários pesquisadores discordam desta tendência. Lee e Smith (1916) e Helander (1933), por exemplo, descreveram um decréscimo no comprimento de fibras da medula até perto do câmbio.
Parameswaram e Liese (1974) trabalhando com algumas folhosas tropicais também descreveram uma tendência de aumento em comprimento desde a medula até o câmbio.
Castro e Silva (1992) estudando duas espécies tropicais da Amazônia Brasileira também descreve a diminuição do écâmbio em várias partes ao longo da árvore (Figura 7.0).

Não existe um consenso geral entre os pesquisadores no que diz respeito a tendência do comprimento dos elementos de vasos para as folhosas do clima temperado.
Broshard (1951), mostrou que praticamente não existe variação radial no comprimento dos elementos de vasos do lenho tardio de Fraxinus excelsior.
E entretanto, o comprimento dos elementos de vaso no lenho precoce aumenta desde a medula até o câmbio.
Prichard e Bailey (1916) encontraram a mesma tendência para o comprimento dos elementos de vaso na direção radial do xilema de Carya ovata.

Em relação a variação nas folhosas tropicais, Parameswaram e Liese (1974) trabalhando com algumas espécies das Filipinas e Indonésia encontraram um aumento radial no comprimento dos elementos de vaso.
Castro e Silva (1992) relata para duas espécies tropicais da Amazônia Brasileira um aumento inicial no comprimento dos elementos de vaso e posteriormente um decréscimo gradual desde a medula em direção ao câmbio.

VARIAÇÃO RADIAL E AO LONGO DA ÁRVORE DO Nº DE VASOS POR MM

Em folhosas da zona temperada e tropical o número de vasos por milímetro quadrado inicialmente aumenta da base, atingindo um valor máximo até uma certa altura, e permanece mais ou menos constante aumentando novamente no topo (Castro e Silva, 1992; Amidon, 1975).
Assim existe mais poros por milímetro quadrado no topo do que na base.
O número de elementos de vaso pode ser correlacionado com a concentração de reguladores de crescimento, pois, os mesmo têm grande importância na atividade cambial (Digby e Warening, 1966).

Em relação a variação no número de vasos por milímetro quadrado da medula ao câmbio não existe um padrão definido, embora algumas espécies tropicais apresentem mais vasos nas proximidades do câmbio (Castro e Silva, 1992).

VARIAÇÃO NA LARGURA, ESPESSURA DA PAREDE CELULAR, DIÂMETRO DO LUME DE FIBRAS E LARGURA DOS ELEMENTOS DE VASO.

Largura , espessura da parede celular , diâmetro do lume das fibras e espessura dos vasos têm sido objeto de pouquíssimo estudo quando comparados com estudos feitos sobre comprimento de fibras.
Entretanto, visto que esses parâmetros têm relação direta com uma das mais importantes propriedades da madeira - Peso Específico - a variação dessas características é incluída neste texto.
Em geral, existe um decréscimo no valor da largura do vaso e das fibras da base para o topo (Zassada e Zahner, 1966; Foulger et al., 1975; Zimmermann e Petter, 1982; Castro e Silva, 1992).
Assim, ao longo de uma árvore as fibras e vasos no topo mostram-se mais finos do que na base, onde o diâmetro de ambos é maior.
Em relação à variação radial, existe um pequeno aumento (não significativo estatisticamente) com flutuações a partir do câmbio em direção á medula.

DIMENSÃO CELULAR NO GALHO

A tabela abaixo mostra a dimensão de alguns elementos no galho de duas espécies da Amazônia.
Observa-se que as fibras e vasos são bem menores do que no tronco. Isto também é verdadeiro para as espécies da zona temperada (Zimmerman, 1975).

Elemento Saccoglotis guianensis Andira parviflora
comprimento fibra (mm) 1,48 (1,84) 1,30 (1,64)
largura fibra (um) 16,22 (20,58) 22,63 (24,36)
compr. elemento de vaso (um) 1046 (1311,6) 336,2 (452,20)
poros/mm² 10 (6) 9 (3)

Valores em parênteses indicam a média dos elementos no tronco

Em relação ao número de vasos, o galho contém mais vasos por milímetro quadrado do que o tronco.

 
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