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FERRAGENS PARA MARCENEIROS E MARCENARIAS - SUCUPIRA PARDA
 
SUCUPIRA PARDA
Nome Científico:
Bowdichía virgilioides H.B.K., Leguminosae.

Outro nomes e Espécies Afins:
A Sucupira-parda também é conhecida como Sapupira, Sucupira-do-igapó, Cutiúba e Sapupira-da-mata.
As madeiras que compõem o grupo conhecido por Sucupira-parda são procedentes, em todo o pais, por espécies pertencentes aos gêneros Bowdichia (B. nitida e B. virgilioides) e Diplotropis.
Em razão da semelhança entre suas madeiras, não existe diferenciação no comércio.

Descrição da Árvore:
Na mata, árvores antigas podem atingir até 45 m de altura e 120 cm de diâmetro, sendo que no capoeirão são de menor porte.
Sua casca mostra-se cinzenta, quase lisa, com pequenas fissuras verticais.

Características da Madeira:
Cerne de tonalidade chocolate (recém-cortada) ao marrom-escuro (após secagem), com alburno estreito e acinzentado.
Textura entre média e grossa, sendo comum grã irregular e ondulada.
Superfície irregularmente lustrosa, de aspecto fibroso e entrelaçado, ligeiramente áspera ao trato.
Madeira com cheiro e gosto imperceptível.

Região de Ocorrência:
São espécies próprias da mata firme, ocorrendo nos estados do Amazonas, Rondônia e, com maior freqüência, no Pará, dispersando-se até o Rio Negro.

Propriedades Físico-Mecânicas:
Madeira pesada, dura e compacta. Alta resistência mecânica e média retratibilidade.
É considerada como sendo resistente ao apodrecimento.

Massa específica g/cm³ kg/m³
Aparente(15% de umidade) 0,91 910
Básica 0,74 740
Retração Total Radial Tangencial Volumétrica
(%) 5,4 8,4 15,5
Índice tangencial/radial = 1,56
Resistência Mecânica (kgf/cm²) Madeira Verde A 15% de umidade
Compressão axial 715 814
Flexão estática 1.279 1.442
Tração normal 92 -

Comportamento Durante a Secagem:
A madeira é de secagem razoavelmente difícil ao ar, com tendência a rachaduras e empenamentos.
Condições drásticas na secagem artificial provocam aumento na incidência de defeitos.

Programa de secagem sugerido para madeira de SUCUPIRA-PARDA
com até 38 mm de espessura.
Umidade Ts (°C) Tu (°C) UR (%) UE (%) Potencial
aquecimento 40,0 39,0 94 21,6 -
até 50 40,0 38,2 91 19,8 2,5
50 40,0 38,0 88 18,3 2,7
40 40,0 37,5 85 17,0 2,4
30 45,0 41,0 79 14,2 2,1
25 55,0 49,0 71 11,3 2,2
20 65,0 56,5 63 9,1 2,2
15 65,0 51,5 49 6,8 2,2
10 65,0 43,0 29 4,5 2,2

Programa de secagem sugerido para madeira de SUCUPIRA-PARDA
com espessura de 40 mm a 65 mm.
Umidade Ts (°C) Tu (°C) UR (%) UE (%) Potencial
aquecimento 35,0 34,0 94 21,9 -
até 50 35,0 34,0 94 21,9 2,3
50 35,0 34,0 94 21,9 2,3
40 35,0 33,5 90 19,7 2,0
30 35,0 33,0 88 18,4 1,6
25 40,0 37,0 83 16,2 1,5
20 50,0 45,5 76 13,1 1,5
15 50,0 42,0 61 9,7 1,5
10 50,0 36,0 40 6,5 1,5

Trabalhabilidade:
A madeira de sucupira-parda é moderadamente difícil de trabalhar.
É de fácil serragem, mas com dificuldade no aplainamento devido à irregularidade da grã.
Perfuração prévia é recomendada para evitar rachamento na aplicação de pregos.
Recebe bom acabamento.

Indicações de Uso:
Empregada na construção civil (partes internas e externas) e na construção naval (convés).
É também utilizada na fabricação de móveis de luxo, laminados decorativos, molduras, assoalhos, batentes e aplicações similares.
A secagem industrial da madeira, ou o simples ato de secar naturalmente, com as tábuas empilhadas à sombra, proporciona grandes vantagens para o produto.
A secagem industrial, controlada por aquecimento artificial e ventilação, produz efeitos muito mais satisfatórios quando comparada com a secagem natural.
O custo, porém, é diferente. Quando a árvore é recém cortada encontra-se saturada de água.
A umidade diminui a resistência da madeira a esforços de natureza mecânica e propicia a proliferação de organismos xilófagos, que se alimentam da madeira.
É importante, portanto, reduzir ao máximo a instabilidade, que é uma característica inerente à madeira e que pode comprometer o produto final.
Secar neste caso é a melhor solução.

São muitas as vantagens de secar a madeira, entre elas a capacidade das peças em receber melhor a aplicação de tintas e vernizes.
  • Fatores que influenciam a secagem de madeiras (Galvão & Jankowsky, 1988):
  • Peso específico (em geral, quanto mais alto o peso específico, mais lenta a secagem);
  • Espessura das tábuas;
  • Velocidade do ar;
  • Temperatura (geralmente madeiras leves suportam temperaturas mais altas);
  • Teor de umidade na peça e no ar;
  • Permeabilidade (neste caso, além da estrutura anatômica, até a presença de hifas de fungos podem bloquear as passagens naturais e tornar a secagem mais lenta).
O processo é quando a árvore é derrubada.
Assim, em qualquer lugar que fique estacionada - seja no local de exploração, seja no pátio de serraria ou de outras indústrias, a madeira estará perdendo umidade, até atingir o ponto de equilíbrio como meio ambiente.
Essa secagem natural, ao ar livre e na sombra, é um processo bem lento, mas provoca menos rachaduras na madeira.
Em gera, leva cerca de seis meses para que atinja o ponto de equilíbrio, dependendo da região e da estação do ano.

A secagem em estufas
é realizada como objetivo de acelerar esse processo em função da demanda do mercado.
Existem vários sistemas de secagem artificial.
Entre os mais adotados na serrarias estão a ventilação forçada, a secagem a baixa e alta temperaturas e as estufas convencionais.

A ventilação forçada consiste basicamente em empilhar as madeira sumas sobre as outras, mas separadas por tabiques, dispondo ventiladores de um lado da pilha para que o ar circule entre elas.

A secagem à baixa temperatura, ou desumidificação é feita em uma câmara cuja temperatura raramente atinge os 45ºC, de onde se retira a umidade da madeira por condensação, através de uma bomba de calor.
A secagem a alta temperatura é realizada em câmara aquecida por caldeiras, até atingir entre 120ºC e 130ºC.
As peças de madeiras são empilhadas no interior da câmara, separadas por tabiques, de forma a permitir a passagem rápida do vapor entre elas.
Esse processo faz com que a madeira atinja o teor de umidade desejado em apenas um dia, mais altera a cor superficial da madeira.

A secagem convencional é a mais utilizada nas serrarias de folhosas e nas indústrias de móveis.
O sistema de funcionamento é basicamente semelhante ao anterior, mas opera a uma tempera variável entre 80ºC e 90ºC.

 
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