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FERRAGENS PARA MARCENEIROS E MARCENARIAS - RECONHECENDO AS MADEIRAS
 
RECONHECENDO AS MADEIRAS
Os adesivos, tintas, vernizes, ferragens e acessórios são indispensáveis numa marcenaria, mas o destaque em termos de valor e volume fica por conta das madeiras.
Sob forma de pranchas de madeira maciça ou de chapas industrializadas, devem ser sempre adquiridas pelo marceneiro, de fornecedores idôneos.
Independentemente de quantidade, origem ou tipo é fundamental saber selecionar a matéria-prima descartando aquelas peças ou lotes com defeitos que possam reduzir o índice de aproveitamento do material adquirido.
Em se tratando de madeira maciça, cuidados adicionais devem ser tomados, tanto na seleção como na aplicação.
Sabemos que a parte da árvore adulta economicamente aproveitável para fins de marcenaria e carpintaria é o tronco, e quanto mais regular ele for, melhor será seu aproveitamento.
As toras obtidas dos troncos são desdobradas em pranchas, utilizando-se diversos métodos de corte, que levam em consideração a posição dos anéis de crescimento da árvore.

Um problema comum, mesmo para técnicos especializados, é a dificuldade para se identificar madeiras.
É difícil distinguir uma madeira da outra dentro da enorme variedadede espécies encontradas no Brasil.
Para se ter uma idéia, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT conta com um acervo de 18.000 amostras de madeiras, pertencentes a 3.000 espécies, 600 gêneros e 100 famílias.
A identificação de madeiras tem como objetivo orientar sua comercialização nos mercados interno e externo, evitando enganos e substituição das espécies.
Além disso, assegura a identificação correta constituindo uma base segura para estudos tecnológicos das madeira.
Para identificá-las são utilizados três planos de observação: a superfície transversal, a tangencial e a radial.

Superfície transversal (ou de topo) - É o plano de corte perpendicular às fibras ou ao eixo longitudinal do caule.
Nessa seção, podem ser facilmente observados, com lupa, o cerne, o alburno, os anéis de crescimento e os raios da madeira.
Superfície tangencial - É o plano de corte longitudinal, perpendicular aos raios e tangencial às camadas de crescimento.
Superfície radial - É o plano de corte longitudinal, que passa pelo centro do tronco, paralelamente aos raios e perpendicularmente às camadas de crescimento.

A identificação pode dar-se pelo processo macroscópico, através da observação a olho nu de características sensoriais da madeira, tais como cor, cheiro e sabor.
É necessária grande prática e, mesmo assim, é possível distinguir apenas as poucas espécies que possuem caracteres de identificação muito pronunciados, como, por exemplo, a cor do pau-roxo, o cheiro do cedro, e o sabor do pau-amargo.
Para um exame mais preciso, usa-se uma lupa de 10 vezes de aumento, uma navalha para polimento da superfície da madeira, conhecimento e experiência na comparação entre madeiras.
O processo microscópico é o mais seguro para a identificação de madeiras, mas pode ser realizado apenas em laboratórios próprios para esse fim.
Através dele é possível não só confirmar a identificação macroscópica, como também quantificar a microestrutura das madeiras.

ANATOMIA DA MADEIRA

O termo anatomia vem de anatomé que quer dizer dissecação, corte.
A Anatomia da Madeira é o ramo da ciência botânica que se ocupa do estudo das variadas células que compõem o lenho, bem como sua organização, função e relação com a atividade biológica do vegetal.
A anatomia constitui-se de elemento fundamental para qualquer emprego industrial que se pretenda destinar à madeira.
O comportamento mecânico da madeira (secagem, colagem de peças, trabalhabilidade e outros) está intimamente associado a sua estrutura celular.
Através da anatomia é possível diferenciar espécies, identificando corretamente a madeira.
Inúmeros trabalhos já foram publicados em anatomia, nos últimos 300 anos, existindo vasta literatura sobre as mais variadas espécies.
A Associação Internacional de Anatomistas da Madeira, IAWA, reúne pesquisadores do mundo todo que trabalham com anatomia publica um periódico específico com os mais recentes estudos nesta área.
No Brasil, várias instituições de pesquisa dedicam-se a anatomia da madeira:
IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas, em São Paulo.
LPF - Laboratório de Produtos Florestais, em Brasília.
Museu Emílio Goeldi, em Belém
INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus.
Além destes, as universidades federais que mantém cursos de botânica ou engenharia florestal também possuem laboratórios destinados ao estudo anatômico do lenho.


As madeiras apresentam algumas características que auxiliam no processo de identificação: são as chamadas características sensoriais, isto é, que podem ser reconhecidas pelo órgãos dos sentidos, como cor, cheiro, sabor e brilho.

Cor
- É uma das propriedades da madeira diretamente relacionada ao seu uso, principalmente como elemento decorativo.
A coloração da madeira origina-se normalmente dos pigmentos e outros materiais, como taninos e resinas, que se fixam principalmente no cerne.
A cor é alterada pela incidência da luz solar, pelo teor de umidade e pela exposição ao ar.
A madeira escurece devido à oxidação de componentes orgânicos.
O aspecto acinzentado da madeira velha se deve ao fato de as fibras de celulose da superfície se soltarem.
Isso acontece principalmente quando a madeira não recebeu verniz, tinta ou outro tratamento superficial preservativo.
Para identificação, a cor pode ser observada na superfície do cerne recém-polido com uma navalha.
Madeiras identificáveis por sua cor típica são o pau-rosa, o pau-amarelo e a braúna preta.

Cheiro
- A presença de compostos orgânicos determina o cheiro da madeira.
Essas substâncias em geral são encontrada no cerne, o0nde o odor é mais pronunciado.
É possível identificar algumas espécies de madeiras apenas pelo seu odor característico.
Alguns exemplos de espécies com cheiro agradável são os louros e o cedro.
A cupiúba tem odor desagradável.
O piquiá tem cheiro suave de fermento ou vinagre; a cerejeira tem odor agradável, lembrando baunilha.
O cheiro também determina o uso da madeira, pois caixas para embalagens de alimento, por exemplo, não podem ter odor algum.

Sabor
- O sabor ou gosto da madeira está relacionado com o seu cheiro e em geral é mais pronunciado em madeiras verdes ou recém-cortadas.
Madeiras com altos teores de tanino, por exemplo, têm sabor amargo.
Alguns exemplos são a peroba-rosa e o angelim amargoso, de sabor amargo; o Pinus elliottii, resinoso; o angico-vermelho, adstringente; a canela-sassafrás, ligeiramente picante; a cerejeira, adocicado.

Brilho
- É a propriedade de as paredes celulares da madeira refletirem a luz. Em geral as madeiras são mais brilhantes nas fases radiais.
Espécies consideradas brilhantes são a itaúba e a canela.

 
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