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Guia do Marceneiro
FERRAGENS PARA MARCENEIROS E MARCENARIAS - FORMAÇÃO DA MADEIRA
 
FORMAÇÃO
O tecido pode ser MERISTEMÁTICO , aqueles envolvidos na formação de novas células, e PERMANENTES , aqueles nos quais formam regiões dentro da planta onde o crescimento é pelo menos temporariamente parado e nos quais células e tecidos já estão diferenciados.
O crescimento em plantas não é uniformemente distribuído, mas é restrito a certas zonas contendo células recentemente produzidas pela divisão celular em um meristema.

É importante não confundir crescimento ( definido como um aumento no tamanho) com divisão celular nos meristemas.
A divisão celular sozinha não causa aumento em tamanho, mas o produto da divisão celular faz crescer e causa crescimento.

Duas zonas meristemáticas principais são encontradas perto da raiz e ápices, outra no câmbio vascular, e outra justamente acima do nó das monocotiledôneas.

Os meristemas podem ser PRIMÁRIOS e SECUNDÁRIOS.
Os meristemas apicais da raiz e broto são formados durante o desenvolvimento embrionário e são denominados de MERISTEMAS PRIMÁRIOS .
O câmbio vascular e as zonas meristemáticas das folhas das gramíneas não são distintos até depois da germinação : eles constituem os MERISTEMAS SECUNDÁRIOS.

Para elaborar seu próprio alimento através do processo da fotossíntese, a planta necessita somente de água (proveniente do solo), dióxido de carbono (da atmosfera), e luz (do sol).
A água juntamente com os nutrientes é absorvida nas raízes, através da epiderme, córtex, e endoderme até o tecido vascular da raiz, e move-se pela parte exterior do xilema (alburno) através do elementos xilemáticos condutores, até às folhas, onde finalmente é transpirada através do estômatos para a atmosfera.
O dióxido de carbono é absorvido através de minúscula abertura na superfície foliar.
Com a ajuda dos raios solares, a água é combinada na presença da clorofila para formar os açucares que fornecem energia para a árvore em crescimento.
Parte dos açucares produzidos vão para locais especiais na madeira onde são armazenados para uso posterior, e parte é consumido pela respiração.
Os açucares aproveitados para a produção da madeira desce através do floema.

O CÂMBIO, uma fina camada entre o xilema e floema é responsável pela produção de novo tecido de xilema e floema. desde que a seiva (solução contendo açucares, água , reguladores de crescimento e outras substâncias) desce através do floema, e é necessário no câmbio, existe a necessidade de um caminho para que possa mover-se horizontalmente em direção ao centro da árvore.
Este movimento horizontal é realizado pelos RAIOS. Estes funcionam também como armazenadores de carboidratos.

FORMAÇÃO DO TRONCO

A zona meristemática no ápice do caule principal, denominada de MERISTEMA APICAL, controla até um certo ponto o desenvolvimento dos galhos.
A divisão celular neste meristema apical ocorre para alongar o tronco. A produção de novas células nesta zona meristemática é seguida de alongamento dessas células resultando desta maneira no crescimento em altura. A medida que o tronco é desenvolvido através da produção de novas células durante o período de crescimento, a gema terminal move-se para cima deixando para trás as células em expansão.
Assim , se enfiarmos um prego em um tronco a 2m acima do nível do solo, este prego sempre estará a 2m do solo, independente da altura que a árvore atingir.

A produção de células no ápice do caule e o subseqüente alongamento dessas células são seguidas por várias mudanças nas células maduras formadas.

A Figura abaixo mostra esquematicamente, e de uma forma simplificada a seqüência do desenvolvimento do tecido primário e secundário.
formação do tronco
Na área I é onde novas células são produzidas, e onde está localizado o PROMERISTEMA. As células formadas sofrem mudanças em tamanho, forma e função.
Na área II estão distintas três camadas diferentes: epiderme, procâmbio e medula.
A epiderme é composta de uma camada de células que possuem uma parede exterior espessa envolvida pela cutina, a qual serve com proteção contra a perda de umidade.
O procâmbio é um precursor de novas regiões meristemáticas que se desenvolvem posteriormente.
Uma segunda camada de proteção é formada abaixo da epiderme e é denominada de endoderme ( área III).
O procâmbio alcança um tamanho máximo, formando um cilindro, e as suas células mais externas e internas começam a se diferenciar em floema e xilema primário. Este processo de transformação em floema e xilema primário continua até que somente uma a várias células procambiais constituem a largura total do procâmbio.

Como estágio final de um processo evolucionário que começou no ápice do caule, o tecido procambial restante torna-se ativo transformando-se numa camada meristemática de nominada de CÂMBIO VASCULAR , que começará a formar floema secundário ( casca mais externa) para o exterior e xilema secundário ( madeira) para o interior.
Assim, todos os tecidos formados antes da formação do câmbio vascular no caule jovem são denominados de tecidos primários.
O novo meristema lateral é considerado de origem secundária .
É interessante notar na maioria das mocotiledôneas todas as células do procâmbio diferenciam-se em xilema ou floema primários, e não existe a formação do câmbio vascular.
Essas plantas, portanto, não produzem xilema e floema secundário. Entretanto, existem algumas monocotiledôneas que apresentam crescimento secundário derivado de atividade cambial.
Quando o câmbio está presente, sua origem e ação são distintas daquelas encontradas entre as dicotiledôneas (Philipson & Ward, 1965).

Com a atividade cambial, a quantidade de floema e xilema secundários aumentam, enquanto que o floema primário é reduzido por esmagamento, e o xilema primário é depositado entre o xilema secundário e a medula.

FORMAÇÃO DA PAREDE CELULAR PRIMÁRIA

A divisão de uma célula (citocinese) inicia-se pela produção de uma placa celular, a qual origina-se pela fusão de centenas de finas vesículas.
A medida que as vesículas se juntam é formada a LAMELA MÉDIA .
Seguindo-se a formação desta placa celular, a formação da PAREDE PRIMÁRIA é iniciada pela deposição de hemiceluloses que polimerizam-se na parede e perdem sua solubilidade na água (Wangaard, 1970).
As vesículas de Golgi no protoplasma são possivelmente um importante fator nesta seqüência da formação a parede primária, podendo atuarem como sintetizadores dos polissacarídeos não celulósicos ( Salisbury & Ross, 1985).

Assim, a parede primária das células em crescimento consiste largamente de uma matriz de polissacarídeos não celulósicos e algumas proteínas, onde existem microfibrilas celulósicas.
Essas microfibrilas podem ser sintetizadas através da agregação de cadeias moleculares de celulose, ou desenvolver-se no fim da síntese envolvendo a transferência de glucose ou pequenos polímeros solúveis na água sucessivamente para o fim da cadeia já incorporada nas micrifibrilas (Preston, 1962).
No último processo poderia haver um aumento no comprimento das microfibrilas.
Para que isso ocorra, polimerização e cristalização devem ser eventos essencialmente simultâneos.

É importante sabermos o que causa o alongamento das células na maior parte das vezes em uma direção ao invés de se expandirem igualmente em todas as direções.
Conforme comentado anteriormente a parede primária das células em crescimento consistem largamente de uma matrix amorfa de polissacarídeos não celulósicos e algumas proteínas, através das quais existem microfibrilas de celulose que minimizam o alongamento na direção axial longitudinal.
As microfibrilas não têm a propriedade de se alongarem facilmente.

Assim , a formação da parede celular pode ocorrer efetivamente na direção que permite muitas microfibrilas "deslizarem" entre si.
O crescimento é favorecido na direção que forma um ângulo reto com o eixo longitudinal das microfibrilas.
Além disso , quando novas moléculas de celulose são formadas durante o crescimento, as microfibrilas celulósicas existentes são aparentemente alongadas permitindo uma extensão paralela ao seu eixo ( Salisbury & Ross, 1985).

Em algumas células jovens, a orientação das microfibrilas não é ao acaso, de maneira que o crescimento começa acelerado ao longo de um eixo (Jansen & Salisbury, 1984).
A medida que o crescimento contínua, novas microfibrilas são depositadas na parede adjacente à membrana plasmática de maneira que a parede retém uma espessura uniforme durante o crescimento.
Se a orientação dessas microfibrilas é ao acaso, o crescimento tende a ser igual em todas as direções; mas se são depositadas mais perpendicular a um eixo, o crescimento é favorecido na direção daquela orientação (Figura 2) (Salisbury & Ross, 1985).

FORMAÇÃO DA PAREDE SECUNDÁRIA

Após o desenvolvimento da parede primária é a fase do espessamento da parede ou formação da parede secundária.
A formação dessa parede secundária começa próximo ao meio de uma fibra e prossegue em direção às extremidades onde o alongamento da fibra ( e portanto expansão da parede primária) pode estar ainda estar ocorrendo (Wardrop, 1964).
O desenvolvimento de sucessivas lamelas da camada S1 da parede secundária é representada diagramaticamanete na Figura 03.
Devido as direções opostas da orientação hel;ical nas sucessivas lamelas de S1,segue-se que asa hélices microfibrilares do tipo Z e S são colocadas simultaneamente em diferentes partes da mesma célula.

A orientação nas numerosas lamelas da camada S2 da parede secundária tem sido matéria de estudo de muitos investigadores.
A orientação microfibrilar da primeira lamela na parede secundária é pouco diferente daquela na parede primária.

 
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